Representantes das escolas sindicalizados ao Sinter repudiam o Novo Ensino Médio

Durante o Encontro de Representantes de Escolas realizado no último final de semana, com sindicalizados ao Sinter (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Roraima), foi aprovada a publicação de uma nota de repúdio contra a implantação do Novo Ensino Médio.

Conforme os trabalhadores em educação no evento, a realidade estadual demonstrou ser inviável à aplicação do projeto do Novo Ensino Médio em seu formato atual.
E uma das principais críticas é em relação a diminuição da carga horária de disciplinas do ciclo de formação básica em prol de outras disciplinas ou ciclos formativos. “A inserção de novos eixos de conhecimento é bem-vinda, desde que não em detrimento da formação básica do aluno, que é seu direito básico: o aluno deve poder escolher ingressar diretamente no mercado de trabalho ou continuar sua formação acadêmica”, diz parte do teor da nota.

Além disso, os representantes das escolas afirmam que, “Repudiamos o aprofundamento do abismo social entre as classes. Em seu formato atual, o Novo Ensino Médio acaba por aprofundar diferenças sociais que vinham sendo aplainadas nas últimas décadas: a parcela mais vulnerável da população formará mão-de-obra barata para o mercado de trabalho, enquanto escolas particulares poderão seguir com sua formação anterior, mantendo seus níveis de aprovação em vestibulares e concursos”.
Também denunciam “a falta de oferecimento de formação específica aos professores para a aplicação de tal projeto, e a falta de aporte de recursos para o oferecimento das condições materiais adequadas às novas disciplinas, como laboratórios”.

E afirmam que “Recebemos relatos de escolas onde alunos permanecem em período integral sem merenda digna, sobrevivendo ao dia completo com bolachas e sucos. Observamos também escolas que ainda não conseguiram se adequar às novas exigências, e de professores que se viram obrigados a aceitar lecionar disciplinas sem relação com sua formação, para não perderem sua carreira”.

Por outro lado, denunciam que “há relatos de escolas que não possuem condições físicas (salas de aula suficientes) para assumir o ensino integral, no momento. Precisa-se construir novas escolas e diminuir o número de alunos por sala”.

E também repudiam “a parceria com instituições privadas que vem sendo realizadas em diversos estados (como SENAI e SENAC), para atender demandas que podemos suprir com nossos profissionais, dados os recursos e formação adequadas pelo estado”.

Alertam para o crescimento da evasão escolar, “observa-se que, desde a implementação do Novo Ensino Médio, os índices de evasão escolar só pioraram nesta etapa de ensino (dados de 2021) e os pais e responsáveis também não se adequaram ao novo modelo, exigindo o retorno da dinâmica anterior, que oferecia maiores oportunidades ao corpo discente”. E que plano de ensino oferecido pela SEED deve apresentar simetria ao DCRR.

Por fim, reafirmam que “a educação deve ser pública e de qualidade, e que, apesar do ensino médio idealmente dever ser oferecido em tempo integral e consoante às necessidades do alunado, este processo deverá ser debatido amplamente com a comunidade escolar e seus profissionais,” e concluem que “seguimos em defesa da educação pública de qualidade e do amplo debate”.